quarta-feira, janeiro 09, 2008

o velho e o nada

Existem épocas que a gente passa meio em branco e, se olhar no fundo, a gente é quase nada. São as épocas mais importantes da história da vida de qualquer um.

Enquanto o telefone tocava nas suas costas, Ela penteava o cabelo olhando-se no espelho, pelo ângulo desfocado que a gente olha quando realmente quer se ver.

Eu, aqui no sofá, não ousaria atender uma ligação que não é pra mim. Eu apenas observava uma linda mulher se despedaçando a escovadas, e não foi de sadismo que eu deixei. Foi apenas pros pedaços caídos no chão vissem lá de baixo o nada limpo e vistoso sobrando lá em cima.

Mas as duas partes (o velho e o nada) não trocavam olhares, o que acabei avaliando ser bom, já que os que estavam virando passado poderiam vir com aquelas chantagenzinhas e truques clássicos dos pedaços em decomposição.

Disse que ela estava ficando bonita, e recebi em troca um sorriso.