sexta-feira, agosto 24, 2007

todos os prazeres do mundo

Mais do que a viagem, é o seu preparo que dá prazer. Hoje em dia então, com tanta informação, internet e bancas de revistas tão cheias de belas imagens, essas ainda melhores do que as digitais, porque dá pra recortar e montar um caderno de sonhos. É num deles que tenho perdido belos sábados onde podia estar criando uma revolução mundial em um anúncio institucional de uma clinica de fertilização ou uma escola primária. Agora é um olho aqui na cola, tesoura e papel perfumado e os outros um dos milhões de filmes que eu nunca vi e tenho me esforçado em esquecer os comentários mal vistos e fazer os meus próprios através da minha nova tela de tv do meu quarto de sempre, que não é velho, mas não chega a se refazer como deveria.

Imaginar os cheiros e fantasiar os gostos com saliva não chega a ser realmente melhor que sentí-los, mas saliva acumulada dá vida a bichinho de prazer que vai continuar vivo e cutucando o estômago até o momento da saciedade da tal sensação, e então ele morre feliz, como você me disse em meio à uma das poucas boas viagens de maconha que tem acontecido ultimamente comigo. Você deitada com a cabeça no meu colo, no sofá, e passar a mão no seu cabelo era viajar em uma tempestade talvez no mar, mas se sim, em um mar de macarronada. Sentia como se cada parte da minha vida estivesse ali naqueles fios, e isso podia ser melhor do qualquer beijo, mas essa teoria sempre ia por água abaixo no início de cada beijo, naquela parte em que a gente se olha bem de pertinho, o lábio seco sente o calor do rosto e cada centímetro demora algumas minutos pra se avançado, até que mais rápido do que se pode racionalizar a gente sente um outro lábio e de novo o nosso lábio, agora molhado. Nada é melhor do que isso, até que com a mão a gente vai descobrindo que sim, e logo os beijos levam prazer até todas as partes do corpo, mãos secas da tensão que parece só ser curada pelas partes úmidas do corpo, escondidas e inalcançáveis, até então.

Dizíamos que a primeira viagem seria Praga, mas hoje penso que eramos apenas duas criadoras de quimeras textuais, como a sandy disse, ou anúncios mal acabados ou mal entendidos e mal colaborados, como eu me defendia dizendo, mas o prazer de verdade era confundir alguém pra se sentir um tanto reto e menos do lado errado do mundo.

Praga confundiria, a menos que a gente fosse lá e a descobrisse em guias em inglês, por isso ela continua e deve continuar - pelo menos pra gente como casal que nunca fomos e devemos continuar assim não sendo a todo encontro ao acaso, ou nas horas vagas e tristes, ou nos recorrentes fins de semana de solidão - fruto das tais quimeras, flor nos seus cabelos e a semente dos meus cadernos.