Recordar é sofrer.
Me leve a sério que eu te levo comigo, de baixo do braço, junto com o maço e o jornal amassado, meu horóscopo lido, as últimas notícias do planalto, um assalto, os classificados em pequenos textos vendendo o alto da lapa e seus sobrados com jardins que no meu caminho eu levo comigo. Me leva embora, eu nunca quero ficar até o fim. Eu os prefiro inícios, ilusórios começos, mas se você me levar agora eu prometo que vai ser diferente, pelo menos com a gente. Não faça o que eu peço nem me leve tão a sério, porque se você puder se impor e ter o que dizer eu vou estar muito afim de ouvir. Ou, sem nada a dizer, ou se isso for o mais importante a dizer, só me beije como daquela vez, no frio, na rua, a noite, quase uma chuva, quase perto da minha casa.
Se ainda tivéssemos todo aquele frio ou pelo menos todo aquele calor... E o que atrapalha toda rima, ou toda poesia ou pelo menos qualquer início de depressão bem curtida, é que a gente sempre tem muito dos dois.
Se ainda tivéssemos todo aquele frio ou pelo menos todo aquele calor... E o que atrapalha toda rima, ou toda poesia ou pelo menos qualquer início de depressão bem curtida, é que a gente sempre tem muito dos dois.

0 Comments:
Postar um comentário
<< Home