segunda-feira, novembro 13, 2006

Ela ladeira

Ela é feia. Mas feia do tipo bonita, aquela que a gente olha, acha feia, mas não sabe onde esta o defeito, pensando até ela ser perfeita, só que feia. Como se fosse deus mesmo que a tivesse desenhado tão perfeitamente linda que ele próprio estivesse com as capacidades reduzidas na hora pela emoção. Deus a fez chorando.

Ela é como subir uma ladeira enorme pra chegar lá em cima e se deparar com uma construção de pedra mal trabalhada, mas que chama atenção pelo tamanho também enorme. Ela é como tentar conversar em inglês com um tcheco, e no final descobrir que ele falava português. Ela é como comprar uma revista bacana por 15 dolares. Ela é como qualquer tipo de negócio que a gente se sente passado pra trás, como comprar um sapato na promoção de R$ 250. Mas, dois dias escondido no armário, ela é como aquela sensação de se deparar com aquela compra indevida e ter muito prazer de saber que você tem um sapato de R$ 250. Ela a gente não sabe nunca o que é, mesmo que alguém explique. Porque ela não é do tipo fácil, que só olhar já entorta, já sabe direitinho, já já enjoa. Ela é do tipo que quem quer ama de verdade, que quem tem tesão, tem do fundo. Ela é o tipo que os homens conversam e as mulheres não olham torto e torcem contra. Ela tem amigos. Ela cozinha mal mas faz coisas fabulosas e surpreendentes de vez em quando. Ela é como chorar sem rítmo nenhum e com uma cara distorcida, mas soltando toda emoção que precisava ser solta alí. Ela não tem medo de andar a noite sozinha.

Ela, eu acho muito, é a mulher que as mulheres sonham em ser no segundo exatamente depois do orgasmo, quando a gente percebe o tanto que teve que aceitar a carapulsa de burrinha alegre, gostosa, safada, putinha, apaixonada, mãe de família, independênte, segura, casta, amorosa, desencanada, moderna, esperta e linda para chegar até alí.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

que texto gostoso... queria conhecer de novo uma mulher assim.

beijo.

12:43 PM  

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