quarta-feira, outubro 18, 2006

grana

De dia eu digo: você, você, você. E o cliente diz: mais, mais, mais! Nada vai fazer ele parar. Grana faz a gente continuar. E mais: você! E mais: você! E agora proibiram até os outdoors, e os clientes estão gritando endoidados: mais mais mais, até fazerem cortar mais alguma coisa. E os vereadores estão tirando um por fora, e eu nem sei mais julgar qual é a parte certa da coisa, porque estou ocupada criando o meu último, com uma gracinha, com coisinhas da gente rir sozinho de noite. E mais, e trabalha, e mais, e você é um palhaço que ri de sí mesmo, e mais, e esqueço as analises, e mais, e mais uma magrugada perdida, e mais, e a quantidade e a velocidade, e as promessas, e o deslumbre, e os prêmios, e as festas, e as pessoas lindas, lendas e ricas, e a babaquice toda que você já sabe, e pronto, é isso mesmo, não tem nada mais. E dizer tudo isso não tira o peso, gatinha, não se faça de sonsa. E os elogios? Você quem fez. E os outros são ecos sem força. E aí? Aí vamos mesmo, vamos embora continuar, porque outro lado não tem mais. Tem? Mais! Tem? Mais! Tem? Nem sei mais, e vamos embora ainda elogiando a mão que te enforca porque, além de enforcar, ela coloca algum docinho na sua boca, e, fala a verdade, você não adora esse gosto?