II. O nascimento de Antônia.
Meu Deus, como eu chorava para ir à escola. Não consigo lembrar de nenhuma razão. Uma versão minha seria que não gosto de mudanças, gosto de ficar quetinha, verde, coloda numa pedra, aquecendo com o sol, esfriando a noite. Só tem uma frase da minha mãe que colou tão profundamente em mim que não tem mais como sair. Condicionamento, talvez, mas não faço questão de questionar nem mudar: “Na vida a gente não pode fazer só o que gosta. As vezes precisamos fazer o que precisa”. Gostar-Precisar. Isso me dá fôlego. Resignação, determinação. Precisa? Respiro fundo e já era, vou. Como sair do banho e se enxugar. Como sair de uma cidade pequena porque alguém falou que precisava.
Quem falou isso? Quem grudou em mim essa megalomania, esse olhar pra cima, pra frente, adiante? Meu deus… pára queta. A cidadezinha já estava uma gracinha, com suas teorias de vida. Eu cabia lá dentro. Eu entrava em alguma brecha, fazia arte, vendia quadros pintados com alface, fazia filmes, limpava sepulturas com um cigarrinho no canto da boca, casava com o dono da venda pra comer nutella de vez em quando. Agora não, falo mal, cidade de merda.
Vivi tantas coisas únicas naquela cidadezinha. Nascer, primeiros passos e ter um sobrenome me fizeram ver um mundo que ninguém pode chegar assim e ver. Mas eu vi, eu entrei, eu vivi. Mas, talvez quem me falou que eu preciso continuar e ir, e olhar pra frente, fui a substância que meu corpo liberou quando minha mente cresceu. Essa substância deve viciar.
Eu acreditei naqueles ícones, nos meninos da família tal que era os banbanbans, e já quis ficar com eles, e já neguei ficar com eles, porque era isso que se fazia. Mesmo hoje eles sendo na minha cabeça uns bocós de calças curtas, preservam um certo glamour.
Eu acreditei na rixas familiares, em não gostar de tal pessoa que era de tal família, e aprendi a usar muitas vezes a palavra tal.
Mas, uma hora, e isso eu ainda não sei porque, a mente dá um krec. A mente se expande. Não acabando com o que já existia, abrangendo também isso, mas precisando de mais. Nessa hora, o mundo em câmera lenta, e você rodando em volta do próprio eixo, olhando tudo e pensando talvez as mesmas coisas, mas maior. E você gira cada vez mais rápido e rápido, e pronto, pára em um outra cidade, maior.
Foi mais ou menos nessa cena de filme que eu me mudei pela primeira vez. Minha mãe (sempre a sábia progressista da minha mãe), comenta em um natal: Você não quer estudar na capital ano que vem? E tudo foi feito. No ano seguinte já estava numa cidade próxima à capital, estudando com um povo estranho, que não sabia da historia da vida e dos antepassados de ninguém.
E krec. E um tio morre e o mundo vira e você pára agora sim, na capital. Gente, centro, núcleo, miolo, pulsação. E lá sim começou a vida que pode ser chamada de minha, com rédias, algum controle e decisões premeditadas.
Quem falou isso? Quem grudou em mim essa megalomania, esse olhar pra cima, pra frente, adiante? Meu deus… pára queta. A cidadezinha já estava uma gracinha, com suas teorias de vida. Eu cabia lá dentro. Eu entrava em alguma brecha, fazia arte, vendia quadros pintados com alface, fazia filmes, limpava sepulturas com um cigarrinho no canto da boca, casava com o dono da venda pra comer nutella de vez em quando. Agora não, falo mal, cidade de merda.
Vivi tantas coisas únicas naquela cidadezinha. Nascer, primeiros passos e ter um sobrenome me fizeram ver um mundo que ninguém pode chegar assim e ver. Mas eu vi, eu entrei, eu vivi. Mas, talvez quem me falou que eu preciso continuar e ir, e olhar pra frente, fui a substância que meu corpo liberou quando minha mente cresceu. Essa substância deve viciar.
Eu acreditei naqueles ícones, nos meninos da família tal que era os banbanbans, e já quis ficar com eles, e já neguei ficar com eles, porque era isso que se fazia. Mesmo hoje eles sendo na minha cabeça uns bocós de calças curtas, preservam um certo glamour.
Eu acreditei na rixas familiares, em não gostar de tal pessoa que era de tal família, e aprendi a usar muitas vezes a palavra tal.
Mas, uma hora, e isso eu ainda não sei porque, a mente dá um krec. A mente se expande. Não acabando com o que já existia, abrangendo também isso, mas precisando de mais. Nessa hora, o mundo em câmera lenta, e você rodando em volta do próprio eixo, olhando tudo e pensando talvez as mesmas coisas, mas maior. E você gira cada vez mais rápido e rápido, e pronto, pára em um outra cidade, maior.
Foi mais ou menos nessa cena de filme que eu me mudei pela primeira vez. Minha mãe (sempre a sábia progressista da minha mãe), comenta em um natal: Você não quer estudar na capital ano que vem? E tudo foi feito. No ano seguinte já estava numa cidade próxima à capital, estudando com um povo estranho, que não sabia da historia da vida e dos antepassados de ninguém.
E krec. E um tio morre e o mundo vira e você pára agora sim, na capital. Gente, centro, núcleo, miolo, pulsação. E lá sim começou a vida que pode ser chamada de minha, com rédias, algum controle e decisões premeditadas.

1 Comments:
Que texto lindo Ju!!!
Adora todas estas mudanças que a vida nos reserva, geralmente as que não pedem licença me fazem um bem ainda melhor.
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