Os óculos de Rita.
Ritinha olhava a paisagem lá fora pela janela, ajoelhada sobre a cama como por alguma penitência, pensava ela. Adorava a lua, e aquele brilho em volta dela. Sempre achou que parecia uma luminária voltada aqui pra baixo, focando sua vidinha de novela mexicana.
Um dia cansou de observar e se atreveu a sair pra dar uma volta. Não conheço o suficiente pra saber em que momento exato isso aconteceu. Apenas vejo desfocadamente que ela deixou de mansinho seu casulo sem tirar um pezinho e mesmo o seu coração de lá de dentro. E hoje anda pelas ruas, mas ela vai carregando sua própria casa, seu próprio buraco de ema esconder a cara e achar que sumiu.
Analises furadas a parte, sei que hoje a Rita resolveu sair. Tomar um sorvete, olhar a rua do ângulo dos que caminham, procurar algumas respostas. Mas, em cada esquina, em cada novo metro andado, era mais um mundo inteiro de imagens pra transformar em palavra. Rita sentia-se metro a metro mais e mais angustiada. Pensava se iria conseguir assimilar tudo, e se aquilo caberia dentro de seus blocos de anotação, e se, e se, meu deus, é muita vida e eu sou só tão só, uma flor adverbial solidão cor de lilás, amora e amêndoa com cobertura de caramelo cristalizado com castanha em cima e aquele palitinho crocante, e eu já vou me arrepender disso logo logo, mas pelo menos chega de palavras por algumas colheradas.
Desculpa, Rita. Você inferniza-se com suas próprias angustias. Eu já desisti das minhas. Eu agora roubo a dos outros. E, com algum peso na consciência pelo furto injusto, não posso deixar de tentar dizer, mesmo achando que de nada vai valer porque a gente só entende a parte que quer. Mas onde já se viu penitência em travesseiro de pena de ganso, menina? E, cá entre nós, que novela mexicana teria uma iluminação tão, digamos, divinamente preparada só pra você?
Um dia cansou de observar e se atreveu a sair pra dar uma volta. Não conheço o suficiente pra saber em que momento exato isso aconteceu. Apenas vejo desfocadamente que ela deixou de mansinho seu casulo sem tirar um pezinho e mesmo o seu coração de lá de dentro. E hoje anda pelas ruas, mas ela vai carregando sua própria casa, seu próprio buraco de ema esconder a cara e achar que sumiu.
Analises furadas a parte, sei que hoje a Rita resolveu sair. Tomar um sorvete, olhar a rua do ângulo dos que caminham, procurar algumas respostas. Mas, em cada esquina, em cada novo metro andado, era mais um mundo inteiro de imagens pra transformar em palavra. Rita sentia-se metro a metro mais e mais angustiada. Pensava se iria conseguir assimilar tudo, e se aquilo caberia dentro de seus blocos de anotação, e se, e se, meu deus, é muita vida e eu sou só tão só, uma flor adverbial solidão cor de lilás, amora e amêndoa com cobertura de caramelo cristalizado com castanha em cima e aquele palitinho crocante, e eu já vou me arrepender disso logo logo, mas pelo menos chega de palavras por algumas colheradas.
Desculpa, Rita. Você inferniza-se com suas próprias angustias. Eu já desisti das minhas. Eu agora roubo a dos outros. E, com algum peso na consciência pelo furto injusto, não posso deixar de tentar dizer, mesmo achando que de nada vai valer porque a gente só entende a parte que quer. Mas onde já se viu penitência em travesseiro de pena de ganso, menina? E, cá entre nós, que novela mexicana teria uma iluminação tão, digamos, divinamente preparada só pra você?

3 Comments:
a angústia está em quem vê, ju.
mas acho que já te disse isso.
vc esta certissima, rita. mas eu ja disse isso tb.
vc fala pra vc mesma! maluquinha! cria espelhos!
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