Rubi
Enquanto passeava com seu cachorro, vendo milhares de pessoas e milhões de histórias passeando ao seu lado, Paula sentia-se confusa. “Cabeça, cabeça, não me coloque em mais confusões”, e o cachorro latia. O tal do cachorro, Rubí, sabia quando começaria aquele processo paranoico, e ele latia.
“Eu não sou confusa pq sei lá, Rubi, sou confusa pq sei bem. Saber é o inferno das coisas. Rubi só é feliz enquanto esta sem saber que não é diamante. Se eu me coloco em confusões é pq não quero o obvio. O que eu sou, eu já sou mesmo. Estou mais preocupada em ser o que eu não sou, o que eu não sei, o que eu tenho medo, o que me desafia”, e a conversa com o animal de estimação foi por aí afora.
Rubi nesse momento olhava para o chão. E acompanhava o ritmo acelerado de Paula. Ele não sabia porque os humanos fazem isso. O problema tem que ser resolvido no problema. Fome? Come. Sede? Bebe. Carência? Trepa. Gente não. Em cada problema sente a dor do mundo inteiro virar gastrite, cancêr, afta. Em cada novo problema eles vão disfarçando, disfarçando, até conseguir acrescentar no papo todas as suas dores daquela alí. É como se a última confusão tivesse sido a culpada por todas as outras dores e culpas e desilusões e depressões e desequilíbrios…
“Não é isso, Rubi. O que mata a gente é a memória. Vc esquece fácil, Rubi, a gente não. O maior dos problemas é o acúmulo. A gente vai indo pra frente e nada se apaga. Crescer é só aprender a administrar seu tanto de história, seu tanto de fantasmas. Todo ato tem consequência, e a memória, vezes curta vezes eterna, acrescenta pimenta nos olhos. E assim a gente vai estragando pessoas, estragando belezas, quebrando com nossas deficiências todas as possibilidades de evolução, de diversão, de pureza, de surpresa boa.”
Minhas histórias de gente conversando com bicho estão começando a me preocupar.
“Eu não sou confusa pq sei lá, Rubi, sou confusa pq sei bem. Saber é o inferno das coisas. Rubi só é feliz enquanto esta sem saber que não é diamante. Se eu me coloco em confusões é pq não quero o obvio. O que eu sou, eu já sou mesmo. Estou mais preocupada em ser o que eu não sou, o que eu não sei, o que eu tenho medo, o que me desafia”, e a conversa com o animal de estimação foi por aí afora.
Rubi nesse momento olhava para o chão. E acompanhava o ritmo acelerado de Paula. Ele não sabia porque os humanos fazem isso. O problema tem que ser resolvido no problema. Fome? Come. Sede? Bebe. Carência? Trepa. Gente não. Em cada problema sente a dor do mundo inteiro virar gastrite, cancêr, afta. Em cada novo problema eles vão disfarçando, disfarçando, até conseguir acrescentar no papo todas as suas dores daquela alí. É como se a última confusão tivesse sido a culpada por todas as outras dores e culpas e desilusões e depressões e desequilíbrios…
“Não é isso, Rubi. O que mata a gente é a memória. Vc esquece fácil, Rubi, a gente não. O maior dos problemas é o acúmulo. A gente vai indo pra frente e nada se apaga. Crescer é só aprender a administrar seu tanto de história, seu tanto de fantasmas. Todo ato tem consequência, e a memória, vezes curta vezes eterna, acrescenta pimenta nos olhos. E assim a gente vai estragando pessoas, estragando belezas, quebrando com nossas deficiências todas as possibilidades de evolução, de diversão, de pureza, de surpresa boa.”
Minhas histórias de gente conversando com bicho estão começando a me preocupar.

1 Comments:
Ju não sei pq mas sempre me identifico nos seus textos.
Eu tenho andado conversando com os bixos quando não estou conversando com ele estou falando com as paredes, estou ficando preocupada também.
Ótimo texto, como sempre né.
Beijos
Postar um comentário
<< Home