Linha do tempo.
(Imagem: Homem, claro, cabelo pretos, camisa azul escura, listras muito finas verticais azul claras, jeans e tenis. Fechado no olho, que olha fixamente pra baixo. A camera vai abaixando, muito vento, balançando seu cabelo e sua blusa.)
Loc. em off.
(locutor jovem, sério sem ser chato, como se fosse uma pessoa falando da sua propria história, que já tem algum cansasso daquilo, mas que ainda admira-se)
- A historia da morte de um homem devia ser contada por ele próprio, para conceder-lhe a derradeira dignidade de justificar-se. Mas nunca é.
- Leo, 25 anos.
(Imagem corta para uma noite, um bairro velho, tipo centro da cidade. Um bar movimentado de velhos e bêbados, algumas outras pessoas saindo do metrô, andando rápido pela rua, quase nenhum carro. Mesmo com muita gente, fica uma certa instabilidade, um silêncio.)
Loc.: E foi só pela falta de coragem de não ter uma última palavra que Leo passou a noite escrevendo poesias no muro em frente a casa de Ana. Se ele sabia que ia morrer? A gente sempre sabe. Sabemos todos os dias da vida, sabemos desde que nascemos, e são desses que eu mais me agrado em falar: o que sabem que vão morrer e escrevem poesias em muros.
- A tinta azul não foi por acaso, já que a poesia descrevia os olhos de Ana e a noite anterior, com um voracidade apaixonada, e uma delicadeza inacreditável depois te tantas declarações desavergonhadas daquela noite mal dormida.
- Ana sabia que ele faria isso. A gente sempre sabe. Foi só por isso que ela lhe ensinou o caminho da sua casa. Mesmo ainda dormindo sua noite, ela já se imaginava saindo pra trabalhar e recebendo olhares confusos, reprovadorres e exitados dos tipos diferentes de vizinhos.
Homem, 55 anos, terno gravata: - Investiguem!
Loc. Era a vez do delegado proferir a seu poder como forma de expandir sua raiva de pai.
Mulher, 45 anos ou plásticas de um 55 envergonhado: - Você nunca conheceu seu filho, Antônio.
Loc.: Leo passava as tardes a toa por aí, criando histórias imaginárias na cabeça, com monstros, agentes secretos e lindas princesas safadas. Brincava sozinho e, mesmo depois de crescido, não se ligava a ninguém, não tinha amigos, e não se sentia encaixado a ninguém. Pra todo mundo reclamava de não achar ninguém parecido com ele.
Ambientação de bar.
Leo: - Quando a gente olha no espelho tem dúvida que é a gente?
Mulher, olhos azuis: - Eu pensei ter menos olheira.
Assim se encontraram, muitas luzes, gente com papo qualquer, dançando em volta só praquilo parecer uma célula trabalhando, conectores, dispersores, mitocrondias e enzimas.
Loc. em off.
(locutor jovem, sério sem ser chato, como se fosse uma pessoa falando da sua propria história, que já tem algum cansasso daquilo, mas que ainda admira-se)
- A historia da morte de um homem devia ser contada por ele próprio, para conceder-lhe a derradeira dignidade de justificar-se. Mas nunca é.
- Leo, 25 anos.
(Imagem corta para uma noite, um bairro velho, tipo centro da cidade. Um bar movimentado de velhos e bêbados, algumas outras pessoas saindo do metrô, andando rápido pela rua, quase nenhum carro. Mesmo com muita gente, fica uma certa instabilidade, um silêncio.)
Loc.: E foi só pela falta de coragem de não ter uma última palavra que Leo passou a noite escrevendo poesias no muro em frente a casa de Ana. Se ele sabia que ia morrer? A gente sempre sabe. Sabemos todos os dias da vida, sabemos desde que nascemos, e são desses que eu mais me agrado em falar: o que sabem que vão morrer e escrevem poesias em muros.
- A tinta azul não foi por acaso, já que a poesia descrevia os olhos de Ana e a noite anterior, com um voracidade apaixonada, e uma delicadeza inacreditável depois te tantas declarações desavergonhadas daquela noite mal dormida.
- Ana sabia que ele faria isso. A gente sempre sabe. Foi só por isso que ela lhe ensinou o caminho da sua casa. Mesmo ainda dormindo sua noite, ela já se imaginava saindo pra trabalhar e recebendo olhares confusos, reprovadorres e exitados dos tipos diferentes de vizinhos.
Homem, 55 anos, terno gravata: - Investiguem!
Loc. Era a vez do delegado proferir a seu poder como forma de expandir sua raiva de pai.
Mulher, 45 anos ou plásticas de um 55 envergonhado: - Você nunca conheceu seu filho, Antônio.
Loc.: Leo passava as tardes a toa por aí, criando histórias imaginárias na cabeça, com monstros, agentes secretos e lindas princesas safadas. Brincava sozinho e, mesmo depois de crescido, não se ligava a ninguém, não tinha amigos, e não se sentia encaixado a ninguém. Pra todo mundo reclamava de não achar ninguém parecido com ele.
Ambientação de bar.
Leo: - Quando a gente olha no espelho tem dúvida que é a gente?
Mulher, olhos azuis: - Eu pensei ter menos olheira.
Assim se encontraram, muitas luzes, gente com papo qualquer, dançando em volta só praquilo parecer uma célula trabalhando, conectores, dispersores, mitocrondias e enzimas.

1 Comments:
inexperiente tentando enfiar uma historia num roteiro!!
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