quarta-feira, junho 21, 2006

Minha Geni.

Sabía-se há muito a fama de Oscalina. Coisa de menina, diziam os chegados. Mas a menina crescia com modos reprováveis para a tal cidadezinha acomodada entre curtas montanhas. Verde, verde, verde, e a menina sentia-se presa. Fantasmas zumbiam delicadamente a ceder-se e caber-se às tradições. Família rezava, amigos tinham até rasculhos desorganizados de conversas, benzida também já tinha sido. “A gente sabe”, dizia a mãe com os olhos, “a gente sabe da vida, a gente já sentiu o peso dela correr também”, palavras sem volume para serem ouvidas. Mas, também no seu silêncio gigante, Oscalina vestía-se vestidos esvoaçantes em dias de vento sul e, sem a menor delicadeza de mulher subia no salto. Assobiava até o canto maior de limite da cidade, onde a cruz apontava – como tudo: serradamente – os nãos, as proibições. Cantar, dançar, beijar, elevar-se leve nos mais delicados prazeres duros e curtos, bruxa. Solta, Oscalina, pura menina. Bem ou mal eram apenas os velhos que podiam rir, pois já haviam com uma eterna longa vida e certa caduquice aceita, conquistado o direito de ser puros. E os que aceitavam a geral aceitação olhavam-lhe o decote. E ela ria.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

como podia se adaptar se a menina se chamava fuscalina? ela era o novo!

1:07 AM  

Postar um comentário

<< Home