reescrito
- Um dia eu já escrevi poesia como quem descreve uma foto. Em minhas mãos, um instante ganhava vida, dimensão. Um acontecimento presente ganhava um motivo, um passado, futuro. Impressionante como quanta coisa cabia em apenas um segundo. E eu tinha todos os segundos.
Hoje, minhas mãos já deixam escapar alguns elétrons de motivos condutores, os fatos já deixaram de ter essa dimensão lisérgica, e as cores já deixaram de ter essa alegre, confiante e simples – por ser e não por querer – vida.
Hoje me deixei aceitar, fixar, calar, planejar, e coisas como dedicação no trabalho e respeito pelos mais velhos. Um dia mesmo a gente vai deixar as artes e aceitar as práticas.
E, imposição imposta e, digamos, aceita, não tenho mais, assumidamente, essa fantasia adolescente punk, por, para e pelos, que, nomes dos pais e filhos e espíritos santos, amei. Eu mesma escondi alguns cds, e me dedico à Janis Joplin e Jack Johnson.
Talvez não fosse nem isso que você via na minha capacidade de pensamentos em linhas, mas era disso que as linhas falavam, e eu sentia com a pele, e não com a ponta dos dedos. E, enquanto você escrevia pra mim, eu pra você descrevia o que já imaginava ser mais lindo se nosso.
Exagerado, como tudo que vem de mim. Mas sempre admiti certo excesso às 4 da tarde, e é só isso que torna minha vida assim tão poesia como é. De "é" mesmo, às 4 da tarde, não passa por aqui nenhum passarinho colorido ou gato sorridente e curioso, pulando nos fios e arranhando minha perna com a certeza de que o mundo está em movimento constante, talvez mesmo que passe.
Aceio, aceito, passo a levar a vida talvez tão tranqüila como a que busquei, mas tem alguns segundos desses aí ainda aqui, batendo na parede do meu estômago, me puxando mais pra lá do que pro chão onde me coloco, me relembrando um motivo passado, me inspirando um motivo futuro, e mais que tudo, me deixando triste por isso tudo não passar de um teatro apenas na minha cabeça.
Hoje, minhas mãos já deixam escapar alguns elétrons de motivos condutores, os fatos já deixaram de ter essa dimensão lisérgica, e as cores já deixaram de ter essa alegre, confiante e simples – por ser e não por querer – vida.
Hoje me deixei aceitar, fixar, calar, planejar, e coisas como dedicação no trabalho e respeito pelos mais velhos. Um dia mesmo a gente vai deixar as artes e aceitar as práticas.
E, imposição imposta e, digamos, aceita, não tenho mais, assumidamente, essa fantasia adolescente punk, por, para e pelos, que, nomes dos pais e filhos e espíritos santos, amei. Eu mesma escondi alguns cds, e me dedico à Janis Joplin e Jack Johnson.
Talvez não fosse nem isso que você via na minha capacidade de pensamentos em linhas, mas era disso que as linhas falavam, e eu sentia com a pele, e não com a ponta dos dedos. E, enquanto você escrevia pra mim, eu pra você descrevia o que já imaginava ser mais lindo se nosso.
Exagerado, como tudo que vem de mim. Mas sempre admiti certo excesso às 4 da tarde, e é só isso que torna minha vida assim tão poesia como é. De "é" mesmo, às 4 da tarde, não passa por aqui nenhum passarinho colorido ou gato sorridente e curioso, pulando nos fios e arranhando minha perna com a certeza de que o mundo está em movimento constante, talvez mesmo que passe.
Aceio, aceito, passo a levar a vida talvez tão tranqüila como a que busquei, mas tem alguns segundos desses aí ainda aqui, batendo na parede do meu estômago, me puxando mais pra lá do que pro chão onde me coloco, me relembrando um motivo passado, me inspirando um motivo futuro, e mais que tudo, me deixando triste por isso tudo não passar de um teatro apenas na minha cabeça.

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