sexta-feira, setembro 01, 2006

opa.4

Quando acordou, Sônia agora chamava-se assim. Talvez por achar mais dígno de uma viúva. Sabe quando um sono é tão pesado que envelhece?
- O que envelhece é não dormir nunca – disse o peixe. E a ordem daquela casa nunca mais seria a mesma.

Sempre que acompanhada, mesmo por pessoas as quais sentia carinho, reclamava-se toda. “Ai ai ai, queria fazer tantas coisas de ser sozinha”. Para, sozinha, só fazer mesmo uma coisa: silêncio. Gostava tanto da solidão que ela mesmo não perturbava o estático das coisas, permanecendo a meio pulmão. Nem pensar muito pensava, e está a verdadeira paz que buscava: de sí. Poe-se sempre encher a casa de corações e pessoas que não a fizessem se sentir abandonada, mas, sozinha, adorava-se mais.

Menos por escolha dessa vez, mas ate certo bem pelo fato de não ser abandonada, ser Sônia, a viúva, passou a ser aceitar os fatos e morar no pause da música alguns bons meses. Teve diálogos rápidos com as cômodas, recortou desenas de revistas, cozinhou receitas mirabolantes e até curou-se um pouquinho da gastrite. Pra ela, o tempo foi dormir todos os dias como se acordar fosse voltar pra hoje de manhã.