vamos falar de amor.
- “Tem gente que não merece nenhuma palavra”, já dizia Seu Marcelino, preto velho que incorporava em silêncio quando o cliente não agradava muito a entidade ou a cachaça não fosse daquelas. E nem tenta explicar pra ele que cachaça é tudo igual que ele logo vem com a mesma história: “tudo igual é o que a gente não conhece. Se você soubesse o nome de cada japonês do caminhão, eles não iam ser tão iguais assim.” Mas um pouquinho iguais seriam, né, Seu Marcelino? “Pouco é nada ao quadrado”, e pronto, já se via que alí não tinha conversa.
- E aí, o que você fazia?
- Eu aceitava, o que mais eu poderia fazer? Talvez o Marcelino fosse uma das pessoas que não merecem palavras.
- E você lembra porque começou essa história toda?
- Claro. Eu estava dizendo que você não merece nenhuma palavra – Pois é, Ana Clara era esse todo de confusão mental e palavras vomitadas. Ela já passou por certos problemas por se mostrar demais, ou por falar coisas que nem estava pensando de verdade, e, depois de faladas, você já sabe, tudo passa a ser. As palavras tem a força fazer o mundo. Elas estão no ar, e o que está no ar, existe.
- Não seria contraditório?
- Não, não seria. Mas eu levaria muito tempo pra te explicar e isso sim seria contraditório.
- Faça isso por favor? Nossa última conversa levada ao cabo, como sempre foram elas, que entravam madrugadas? – Fábio era isso aí, nada. Sua capacidade de fazer muitas perguntas escondia o fato dele nunca ter nada pra dizer, fora citar o bendito alguém que disse que inteligente era quem perguntava. Era muito inteligente o desgraçado.
Ficavam os dois assim, de papinho, discusão, e a capaciade maravilhosa de criar tudo com suas palavras. Destruir tudo, reinventar tudo, convencer qualquer um, até eles mesmos. E, noite a dentro, a divina glória da argumentação racional estava em conseguir o extremo de fazer um amar o outro, e isso era tão reconfortante.
- E aí, o que você fazia?
- Eu aceitava, o que mais eu poderia fazer? Talvez o Marcelino fosse uma das pessoas que não merecem palavras.
- E você lembra porque começou essa história toda?
- Claro. Eu estava dizendo que você não merece nenhuma palavra – Pois é, Ana Clara era esse todo de confusão mental e palavras vomitadas. Ela já passou por certos problemas por se mostrar demais, ou por falar coisas que nem estava pensando de verdade, e, depois de faladas, você já sabe, tudo passa a ser. As palavras tem a força fazer o mundo. Elas estão no ar, e o que está no ar, existe.
- Não seria contraditório?
- Não, não seria. Mas eu levaria muito tempo pra te explicar e isso sim seria contraditório.
- Faça isso por favor? Nossa última conversa levada ao cabo, como sempre foram elas, que entravam madrugadas? – Fábio era isso aí, nada. Sua capacidade de fazer muitas perguntas escondia o fato dele nunca ter nada pra dizer, fora citar o bendito alguém que disse que inteligente era quem perguntava. Era muito inteligente o desgraçado.
Ficavam os dois assim, de papinho, discusão, e a capaciade maravilhosa de criar tudo com suas palavras. Destruir tudo, reinventar tudo, convencer qualquer um, até eles mesmos. E, noite a dentro, a divina glória da argumentação racional estava em conseguir o extremo de fazer um amar o outro, e isso era tão reconfortante.

2 Comments:
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
ju, vc ja sabe! é bom, mas é isso ai
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