Uma biografia não autorizada. I. Estalando os dedos.
Pois é, Fafá, só o tempo, viu… só o tempo.
Eu, quando saí daquela cidade de merda, tinha na cabeça medo. Nada de sonhos, nada de planos, nada de metas. Saí como quem sai do banho e vai se enxugando pela casa não porque gosta, ou sempre quis fazer isso, mas porque é isso que tem que ser feito.
Hoje, olhando o tamanho daquela gente, penso que acreditar naquele plano de vida é acreditar numa vida mosquito, vida breve, pequena, chata. Pode até ser que eu tenha, ou no fundo mesmo queira um pouco dessa brevidade e chatice pra mim, quem sai aos seus não regenera. Até penso as vezes que somos nós mesmos as gerações passadas nessa, nada de novo. Sou meu pai avô e bisavô, somados à minha mãe avó e bisavó, vivendo nos anos 00. Quem sabe de verdade… Sei que não sabem, mas eles não. Acham que sabem, criam teorias e modos de vida e vão, racionalmente, convencendo outros das benesses e brilhos da vida assim ou assado. Viver em cidade, viver em interior, viver em comunidades hippies, viver em praia de nudismo, viver em república, viver no rock, viver para os filhos. Gente pequena.
Os meus vivem no passado, fechados, mesmo que valorizando o externo, mesmo que dando pra os de fora só um pedacinho do que se é de verdade. Ninguém que lá não nasceu, lá não tem sobrenome e lá não deu os primeiros passos, sabe bem o que é aquilo. Nem eu, nem se engane Fafá, minha interpretação é somente tirada dos meus devaneios. É até bem possível que os nomes e vidas que eu descreva aqui nem existam de verdade. Lunações minhas que não são mentiras, porque eu sei falar.
Já pensou Fafá, que o que pode ser dito não é mentira? Essa coisa toda de “não existem fatos, apenas versões”. Eu acredito. Então, sendo tudo uma versão, qualquer poesia é verdade. Se eu invento uma historia, e nessa versão pude colocar pontos e vírgulas, detalhes como até a cor da linha que foi pregado o botão, ela bem existe. Posso fazer como aqui: inventar uma Fafá e passar horas descrevendo nossa relação tão complexa, de anos de bagunça e traições, mesmo em um romance que nunca teve nada de sério e, de repente, a Fafá aparece aqui, linda, na minha frente. Eu estive grávida e estou, tecla a tecla, dando a luz à isso tudo.
Será, Fafá, que eu mesma sou minha criação? Minha não, a de alguém… Já li isso num livro. Mas bom mesmo Fafá, foi o livro das artes, que a gente viu junto, naquela livraria sujinha, numa rua de São Paulo que eu nunca mais vou passar na vida. Aquela rua existe? Já pensei que vivia num show de Trumman, e nunca fui ao Japão porque lá não existe. E eu teria que programar com antecedência minha ida para construírem uma coisa qualquer lá. Mas não acredito que isso seja um programa de TV para pessoas como eu. Acreditei que na verdade ser humano era uma invenção de seres evoluídos e irônicos, e esse programa era a diversão deles, que mantinham o mundo inteiro para rirem da gente. E tinha uma coisa de Você Decide. Só isso explica o fato de termos guerra, mesmo ninguém querendo, ou fome, mesmo com tanta comida no mundo. É porque, alguns dos ets gostam, outros não. E, por audiência, tudo tem um pouquinho. Paranóias de verdade, e nessas horas eu sempre penso que nunca mais vou fumar.
Você sabe, Fafá, quantos maços já comprei prometendo ser o último, quantos cigarros já me arrependi de ter fumado, e quantas vezes esbravejei que parava quando quisesse. Sou forte, Fafá. Sou a dona do meu destino. Sou uma leonina brava e mandona, corajosa enquanto de olhos abertos e determinada enquanto na fantasia que o mundo é apenas uma versão.
Toda vez que começo uma nova história, penso como as minhas histórias irreais, contos de velhas e assassinos, dão mais ibope. Ninguém hoje em dia tem paciência para agüentar as desilusões dos outros. Será que é isso ou será que minhas invenções são mais interessantes que minha vida real, Fafá? Invento, então.
Eu, quando saí daquela cidade de merda, tinha na cabeça medo. Nada de sonhos, nada de planos, nada de metas. Saí como quem sai do banho e vai se enxugando pela casa não porque gosta, ou sempre quis fazer isso, mas porque é isso que tem que ser feito.
Hoje, olhando o tamanho daquela gente, penso que acreditar naquele plano de vida é acreditar numa vida mosquito, vida breve, pequena, chata. Pode até ser que eu tenha, ou no fundo mesmo queira um pouco dessa brevidade e chatice pra mim, quem sai aos seus não regenera. Até penso as vezes que somos nós mesmos as gerações passadas nessa, nada de novo. Sou meu pai avô e bisavô, somados à minha mãe avó e bisavó, vivendo nos anos 00. Quem sabe de verdade… Sei que não sabem, mas eles não. Acham que sabem, criam teorias e modos de vida e vão, racionalmente, convencendo outros das benesses e brilhos da vida assim ou assado. Viver em cidade, viver em interior, viver em comunidades hippies, viver em praia de nudismo, viver em república, viver no rock, viver para os filhos. Gente pequena.
Os meus vivem no passado, fechados, mesmo que valorizando o externo, mesmo que dando pra os de fora só um pedacinho do que se é de verdade. Ninguém que lá não nasceu, lá não tem sobrenome e lá não deu os primeiros passos, sabe bem o que é aquilo. Nem eu, nem se engane Fafá, minha interpretação é somente tirada dos meus devaneios. É até bem possível que os nomes e vidas que eu descreva aqui nem existam de verdade. Lunações minhas que não são mentiras, porque eu sei falar.
Já pensou Fafá, que o que pode ser dito não é mentira? Essa coisa toda de “não existem fatos, apenas versões”. Eu acredito. Então, sendo tudo uma versão, qualquer poesia é verdade. Se eu invento uma historia, e nessa versão pude colocar pontos e vírgulas, detalhes como até a cor da linha que foi pregado o botão, ela bem existe. Posso fazer como aqui: inventar uma Fafá e passar horas descrevendo nossa relação tão complexa, de anos de bagunça e traições, mesmo em um romance que nunca teve nada de sério e, de repente, a Fafá aparece aqui, linda, na minha frente. Eu estive grávida e estou, tecla a tecla, dando a luz à isso tudo.
Será, Fafá, que eu mesma sou minha criação? Minha não, a de alguém… Já li isso num livro. Mas bom mesmo Fafá, foi o livro das artes, que a gente viu junto, naquela livraria sujinha, numa rua de São Paulo que eu nunca mais vou passar na vida. Aquela rua existe? Já pensei que vivia num show de Trumman, e nunca fui ao Japão porque lá não existe. E eu teria que programar com antecedência minha ida para construírem uma coisa qualquer lá. Mas não acredito que isso seja um programa de TV para pessoas como eu. Acreditei que na verdade ser humano era uma invenção de seres evoluídos e irônicos, e esse programa era a diversão deles, que mantinham o mundo inteiro para rirem da gente. E tinha uma coisa de Você Decide. Só isso explica o fato de termos guerra, mesmo ninguém querendo, ou fome, mesmo com tanta comida no mundo. É porque, alguns dos ets gostam, outros não. E, por audiência, tudo tem um pouquinho. Paranóias de verdade, e nessas horas eu sempre penso que nunca mais vou fumar.
Você sabe, Fafá, quantos maços já comprei prometendo ser o último, quantos cigarros já me arrependi de ter fumado, e quantas vezes esbravejei que parava quando quisesse. Sou forte, Fafá. Sou a dona do meu destino. Sou uma leonina brava e mandona, corajosa enquanto de olhos abertos e determinada enquanto na fantasia que o mundo é apenas uma versão.
Toda vez que começo uma nova história, penso como as minhas histórias irreais, contos de velhas e assassinos, dão mais ibope. Ninguém hoje em dia tem paciência para agüentar as desilusões dos outros. Será que é isso ou será que minhas invenções são mais interessantes que minha vida real, Fafá? Invento, então.

2 Comments:
Porra Ju, vc ta escrevendo rápido heim!!!
Leonina... só quem é sabe a dor e a delícia de ser uma, sempre achando que o mundo gira ao nosso redor. Claro que sempre achamos que vivemos em um show de Trumman, nada mais saboroso para nos do que o mundo inteiro prestando atenção somente na gente.
Beijos amore
textos brutos.
virando tv.
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