sexta-feira, outubro 27, 2006

a gente

Esta em casa, fumando e usando o computador, vigiando pela camera de segurança que passa no canal 12 da TV quem passa na rua, um pouco por segurança, um pouco pra ser avisada com certa antecedência quando chegaria o final da sua paz: a colega de quarto insuportávelmente imbecil.

Seu silêncio engole toda a barrulheira de trabalho da terceira maior cidade do mundo. La esta ela: inerte em meio ao minhocão que gira em circulos em volta da sua janela, e aos milhoes de programas adoráveis que um coração sem nenhum tipo de paixão conseguiria sentir e se divertir.

O mundo gira. E aqui, mais rápido que em qualquer outro lugar que a moça com os olhos bem abertos de susto já esteve. Mas de nada adianta a roda, o mundo, as programações e a inovação tecnologia de poder vigiar quem entra ou não na sua vida pela TV, se existe um pouco de amor no coração. Daí o mundo para, de nada importa mais qualquer faisca, nenhuma novidade tem aquele mesmo gosto viciante que meu amigo de lata já falou muito bem.

Estou usando saias de flores, me sinto tão idiota e inexpressiva que queria nunca mais tirar. Queria desligar a TV e abrir as portas. Queria oferecer um trago pro vizinho. E, logo depois, explodir tudo isso e, acima da nuvem de poeira, sumir direto até um avião bem lá no alto, pra parar em algum lugar com praia a e água de coco natural.

Qualquer troca de olhares guarda um novo universo. E a gente evita. Milhões de pessoas diferentes passam diariamente ao nosso lado no metro. E a gente evita. Isso e mais tudo que estiver fora da nossa bolha mágica a gente evita. Está fora dos nossos planos de não fazer planos, esta fora da nossa dependência das discusões, esta fora da nossa vida sexual cansativa de boa, esta fora do que a gente já construiu ou incorporou como nosso e ja montamos e maquiamos como nós.

2 Comments:

Blogger Sil said...

Ai Ju sou sua fã incondicional, não tem jeito,quase choro lendo seus textos.
Volta amiga, vitória sempre consegue fica pior sem você.
Adorei o último parágrafo, não sei porque me identifiquei...
Vou parar de escrever pq estou bebada já, e sentimental demais...
bjos

11:10 PM  
Blogger Duda Bandit said...

fica a grande lição de Entre Quatro Paredes (embora eu esteja de saco cheio de citar os existencialistas): "O Inferno são os outros". Desculpe-me essa frasezinha existencialista orelha de livro... vou tentar melhorar.

Ah, seu texto hoje está terrivelmente adorável.

10:19 AM  

Postar um comentário

<< Home