quinta-feira, outubro 25, 2007

Mini-saia

As meninas não estão se arrumando só pra sair, elas estão se arrumando pra brincar, rir, se divertir e ser as donas da bola. Cada uma em sua casa, cada uma em seu espelho e seus delineadores. Uma escolhe por uma rosa de doçura explícita no cabelo, outra pelo batom vermelho da discórdia, a terceira por uma mini-saia desafiadora. Um telefonema só pra confirmar que elas não escolheram pelo mesmo vestido do Lamartine e a hora combinada na frente da boate foi 1.

Parada ali na frente daquela típica encenação de modernidade, a mini-saia nem parecia tão curta assim, e ela decidiu que dela cortaria mais alguns centímetros em casa. No teatro de pseudo-metrópole, todos sabem suas falam, as gírias da vez, as cores, o comprimento das botas, o make, o badhairday style, os sons... Os meninos com camisetas de internet e barba também frequentam esse lugar, que seria reservado apenas para gays de regatas Neon e mousse, mas pela falta de opção os públicos se juntam e todos fervem unidos em Toxic. Oh, Toxic não! Isso é tão verão passado...

Mas a barba... Só dela crescer vem junto o lado oposto de ser na vida, a crítica metralhadora, a necessidade vital de ser contra pela ilusão de que ter opinião é ter personalidade, a posição à esquerda no palco da vida. O tanto que me irrita é o tanto que eu gosto da aventura de descobrir que nos meio dos fios mal cortados, lá no fundo, encouraçados e escondidos, existem corações. Outro fator positivo é que esses geralmente são do tipo que não fumam.

Na entrada da boate, adolescentes ainda em pb e vans. Ela sem nem esperar por nada vê o que mais tarde descobriria ser thiago, virando a esquina. Ele caminha rápido o suficiente para mostrar que sabe o que quer e não é blasé e mais nada, mas devagar o suficiente pra ela conseguir scanear todos os detalhes.

Meu deus, como ele é elegante. Na direção da menina de saia curta ele olha pra baixo e ela em princípio, é verdade, pensou ser só mais um. Mas o ritmo perfeito do seu passo fez com que cada pequena coisa fizesse sentido: um domingo de manhã sentindo o sol fraquinho na pele ao invés de acordar 13h bêbada, um sabor novo ao invés de mais um cigarro, uma viagem pra paris ao invés de gastar tudo na última geração de drogas. E ela que ouvia então Ottos Journey se sentido tão compreendida, descobriu em jesus,etc o quanto a sutileza pode ser divertida.

Quando ele parou do seu lado e segurou seu braço, ela sentiu o universo, e então entendeu tanta coisa...

As meninas da flor e do batom chegaram 1h15, mas ela não estava mais ali. Como companheiras de rock, um bolo pega mal, mas como amigas, elas tiveram uma inveja boa e entenderam, com a condição de ligar e contar cada detalhe depois.

Assim foi, e a menina da mini-saia nunca mais foi vista ali.


(Estamos fadados à solidão, sugar. E ontem, enquanto eu dançava pra você, eu só conseguia pensar que essa festa também vai acabar. Perceber isso o quanto antes é saber aproveitar melhor cada precioso segundo. E agora só o que a gente quer é aproveitar essa doce versão de que as nossas maluquices podem ser medicadas, nossas criancices podem parir criatividade, nossa racionalidade pode assumir o controle e nossos futuros podem ser brilhantes).

1 Comments:

Blogger Lais Porcaro said...

Segundo02...faz sentido hihihihi
Adorei saber que vc voltou viu Ju!
Sou f�!
J� disse n�?! Num primeiro ai?!
Beij�o
Lala da rosa da do�ura ou do batom da disc�rdia, a mini saia seria destoante de mais do meu personagem n�?!!

11:18 AM  

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