terça-feira, dezembro 11, 2007

Previsão para amanhã.

Você vai acordar mais cedo do que precisava e se culpar por poder ter dormido mais.

Você vai passar a maquiagem, mas vai perceber que não combinou com a roupa.

Você vai trocar de roupa e vai perceber que o problema era com a maquiagem.

Você vai trocar a maquiagem.

Você vai perceber que acordou cedo, mas mesmo assim já está atrasada.

Você vai se culpar por nunca conseguir chegar cedo no trabalho.

Você vai querer pegar um taxi de novo, mas como você já fez isso a semana passada toda, você não vai querer gastar com isso.

Você vai perceber que não tem leite em casa.

Por não querer atrapalhar o tratamento da gastrite, você vai optar por não ficar de barriga vazia e vai passar no supermercado.

Ao sair do supermercado, você verá o seu ônibus partindo. Você vai perder o ônibus com um iogurte tatá de morango.

Você vai para a sua pracinha querida, um sonho romântico de tranquilidade e passarinhos bem no meio da urbanidade de fios e calçadas quebradas. A pracinha não, ela é verde, calma, com velhas árvores e velhinhos fumando cigarros, abelhas perseguindo meu perfume de flores e frutas e formigas. Realmente é um dos lugares que você mais gosta na cidade.

Você vai perceber que a reforma da praça acabou e ela virou apenas mais um lugar terrivelmente seco e pelado dessa cidade tão despida de sentimentos.

Você vai sentir ódio por não ter forças.

Você vai perceber que a nova praça também não tem bancos.

Você vai esperar o ônibus no sol e em pé.

Você recebe uma ligação e percebe que logo ali do outro lado da rua é uma carona bem bacana, de um amigo que você gosta muito e quase nunca vê.

Tem tanto tempo que não vê que você tá meio sem graça.

Você vai correr completamente desengonçada, você vai ficar com vergonha e ficar com vontade de não ir mais, dar um tchau e entrar no ônibus correndo.

A viagem de 10 minutos vai parecer durar 50.

Seu amigo vai falar mal de um trabalho seu sem saber que era seu.

Você vai ficar com vergonha de fizer que era seu e explicar a situação, porque sempre há uma situação.

Você já vai chegar no trabalho desanimada pra semana.

São 9h30 de segunda-feira.

Sua chefe vai chegar afobada. Você vai ficar sem paciência de ouvir a voz dela.

Sua chefe vai vir dar um retorno sobre aquele trabalho que você estava super empolgada.

Ela fará poucas alterações, mas as necessárias para trucidar a idéia.

Você não terá paciência para argumentar.

Você vai fazer o trabalho como ela pediu.

Sua chefe dirá que não ficou satisfeita com o resultado.

Primeiro você vai ter vontade de mandá-la à merda, pois foi ela que pediu daquele jeito.

Depois vai falar mal dela com todo mundo, e espalhar bastante energia negativa pela sala.

Mas no fundo você irá se culpar por não ter conseguido fazer alguma coisa melhor.

Ou pelo menos ter tido mais força de vontade de argumentar.

Você vai dizer pela décima vez pra você mesma que o foda-se está ligado, e seu objetivo no emprego é outro, e que seus planos já estão mais que formados na sua cabeça... mas na verdade você não vai aceitar as suas desculpas por não ser simplesmente o Mohallen da sua geração.

Você vai almoçar com uma amiga porque está precisando conversar sobre alguma coisa que você nem sabe direito o quê, mas você acaba desistindo de procurar o que quer dizer e vai apenas a ouvir.

Você não vai resistir a um big mac seguido de um cigarro.

A sua gastrite sentirá o ocorrido, e você vai se culpar e imaginar todas as doenças mortais que isso acarretará.

Você vai pra casa pensando no VT maravilhoso que a sua chefe esquartejado, só porque isso realmente não saiu da sua cabeça.

Você vai ficar triste e com a auto-estima ferida e vai apenas dar uma passadinha no Shopping antes, e você vai comprar algum lixo inútil.

Você vai dizer que o ultra novo blush da estação não é uma porcaria qualquer.

Você vai abrir a bosta do livro que a sua psicóloga te emprestou e vai perceber que o que você quer com o novo mega ultra blush pêssego cremoso é só aceitação, segurança, uma princesinha esperando o príncipe encantado que ira a salvar das suas culpas e mágoas.

Você não vai aceitar essa versão.

Você vai ver que no fundo ela pode ter alguma razão.

Você vai ver que é só isso que você quer.

Você vai chorar no ônibus e nem o blush vai ajudar na sua cara aguada ridícula.

Você vai chegar em casa e a sua irmã vai estar tranquilamente levando a vida dela.

Você vai dar um jeito de ser grossa e atrapalhar a paz dela, que você chama de egoismo.

Sua mãe vai chegar da faculdade e em 3 minutos vai conseguir reclamar de 72 coisas, você vai perder o controle. Talvez você chore, talvez você grite. Mas de nenhuma forma você vai conseguir tornar o ambiente e essas relações mais agradáveis.

Você vai se irritar e falar coisas muito cruéis para sua mãe.

Você vai se arrepender muito do que disse, mas não vai ter coragem de pedir desculpa, e vai só jogar mais quilos de dor na sua gastrite.

Você vai sentir muito dor de estômago.

Você vai esperar meia noite pra conversar com seu namorado, aquele cara que te entende e te ajuda tanto, mas tá lá longe em outro país.

Você vai estar com sono e ele vai estar trabalhando, então vocês mal vão conseguir conversar.

Você vai dormir com sentimentos como culpa, dor de estômago, angústia, saudade, e aquela sensação de estar cheia de coisas pra fazer sem ter feito nenhuma.

Você vai ter a sensação de que poderia ter visto tudo que aconteceu no seu dia de forma diferente, mais pra cima, se culpando e se sabotando menos, mas aí você já dormiu e pra amanhã não vai lembrar nem disso nem que tpm dura apenas 3 ou 4 dias.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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8:37 AM  
Anonymous Anônimo said...

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12:55 PM  
Blogger Juliana Dadalto said...

Este comentário foi removido pelo autor.

6:15 PM  

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